domingo, 23 de setembro de 2007

Trecho do livro O Pequeno Príncipe.

"... E foi então que apareceu a rapôsa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu o príncipezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira. . .
- Quem és tu? perguntou o príncipezinho. Tu és bem bonita. . .
- Sou uma rapôsa, disse a rapôsa.
- Vem brincar comigo, propôs o príncipezinho. Estou tão triste. . .
- Eu não posso brincar contigo, disse a rapôsa. Não me cativaram ainda.
- Ah ! desculpa, disse o príncipezinho.
Após uma reflexão acrescentou:
- Que quer dizer "cativar" ?
- Tu não és daqui, disse a rapôsa. Que procuras ?
- Procuro os homens, disse o príncipezinho. Que quer dizer "cativar" ?
- Os homens, disse a rapôsa, têm fuzis e caçam. è bem incômodo ! Criam galinhas também . É a única coisa interessante que eles fazem . Tu procuras galinhas ?
- Não, disse o príncipezinho . Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a rapôsa. Significa "criar laços . . ."
- Criar laços?
- Exatamante, disse a rapôsa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil de garotos. E eu não tenho necesseidade de ti. E tu não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma rapôsa igual a cem mil outras rapôsas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. . .
- Começo a compreender, disse o príncipezinho. Existe uma flor. . . eu creio que ela me cativou...
- É possível, disse a rapôsa. Vê-se tanta coisa na Terra. . .
- Oh ! não foi na Terra, disse o príncipezinho.
A rapôsa pareceu intrigada:
- Num outro planeta ?
- Sim .
- Há caçadores nesse planêta ?
- Não.
- Que bom ! E galinhas?
- Também não.
-Nada é perfeito, suspirou a rapôsa .
Mas a rapôsa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Tôdas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conehcerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha ! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste ! Mas tu tens cabelos côr de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo. . .
A rapôsa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
-Por favor. . . cativa-me ! disse ela."




Penso muito neste diálogo entre a rapôsa e o príncipe. Visto que ela chega assim de repente, e já ciente de todas as coisas, pede com toda a veemencia para ser cativada pelo príncipe.
Nesta fase de minha vida, me sinto como uma rapôsa buscando algo que me cative !

Um comentário:

Heliel disse...

seus textos são vivos. vou ler com calma depois, ler na hora do almoço n ajuda. abraooo.